top of page

Ponte Nova - Belo Horizonte

ALAN FONTES 

WhatsApp Image 2025-10-28 at 11.15_edite

Alan Fontes é um pintor do espaço tridimensional. Não apenas porque representa um espaço que se desdobra no interior da tela, como na tradicional imagem da pintura como janela para o mundo. Mas porque o artista transforma o mundo em pintura. É como se estivéssemos no interior da pintura, tanto quanto ela está completamente fora de si mesma.

​​

O procedimento não significa um abandono definitivo da tela ou do plano, tampouco a tentativa de salvar a pintura de um fim que nunca chegou. Ao contrário, ele é fruto ao mesmo tempo de uma liberdade que o presente possibilita e de uma conquista do artista. Algumas de suas telas trazem um plano descontínuo em relação ao fundo, como se estivesse descolado do conjunto, mas dentro dela. São pinturas de reflexos em superfícies de vidro ou de elementos da construção. Se em alguns trabalhos há uma investigação de arquiteturas e utopia, em outros há ruínas. A série de casas destroçadas feitas a partir de imagens de cidades que passaram por terremotos, mais do que tragédia humana, simboliza a derrocada de um ideário.

Há telas em que o artista se vale de imagens aéreas e distantes do espaço vivido pelo corpo. O achatamento da topografia e dos acidentes do terreno poderiam parecer opostos aos trabalhos em que a linha do horizonte é visível. Entretanto, a vista aérea pressupõe uma experiência mediada por aparatos tecnológicos como o GPS, assim como imagens preexistentes retiradas de revistas e internet são referências para casas e paisagens. De todo modo, parece ser pela imagem que a relação com o mundo se torna possível.

​​

A pintura de Alan Fontes não se contenta com limites físicos. Ela literalmente cai para fora da tela, como quando garrafas voam para o piso. A cenografia também é o trabalho. O interior da sala se confunde com a pintura. O papel de parede cinza vira rosa na tela. O que seria pano de fundo se torna protagonista. Nesse trabalho, todo o ambiente tem referências a filmes em que os vínculos entre os casais são desfeitos. Os objetos pintados que aparecem no exterior das telas, realizam uma experiência inversa àquela da pintura de Van Gogh no filme Sonhos, de Akira Kurasawa.

Arquiteturas e ideias em ruínas, relações pessoais desfeitas e imagens no lugar do contato corporal são signos da distopia. Como a continuidade entre o que ocorre dentro e fora das pintura de Alan Fontes não se dá apenas pelo uso da perspectiva, seus trabalhos convertem o espaço que habitamos em ficção. E sua evidente habilidade técnica tende a se camuflar em seu sarcasmo e auto-ironia.

Cauê Alves

DEPOIMENTO

Meu trabalho surge de questões que emergem da minha relação com a pintura e com outras linguagens como fotografia, vídeo e instalação. Interesso-me pela pintura em um campo ampliado, ou melhor, por uma visualidade expandida, que se manifesta tanto na contaminação do espaço expositivo quanto na virtualidade do plano pictórico. Essa abordagem se consolida no hibridismo entre linguagens e em estratégias de fruição que transcendem a contemplação tradicional da imagem, convidando o espectador a experiências mais dinâmicas.


Minhas investigações temáticas desdobram-se em dois eixos principais: o primeiro aborda a poética do espaço íntimo da casa, explorada tanto por vias autobiográficas quanto por meio de outras moradas, estas funcionam como pré-textos poéticos para séries de trabalhos. O segundo eixo articula reflexões sobre a urbanidade, tomando a cidade e sua arquitetura como elementos centrais para pensar o tempo e a vida contemporânea. Nessa vertente, situam-se séries como Desconstruções e a poética dos Livros — Livro do Vento, Livro de Pedra e o recente Livro da Guerra, que exploram narrativas materiais e simbólicas.


Entendo meu processo criativo como um movimento cíclico, composto por pesquisas sequenciais que, embora possam parecer formalmente distintas, revelam conexões profundas quando observadas em sua continuidade conceitual ao longo do tempo.

BIOS

Alan Fontes(Ponte Nova, Minas Gerais, 1980) vive e trabalha em Belo Horizonte.


Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), atua como artista, pesquisador e professor efetivo de Pintura na Escola de Belas Artes da UFMG, além de integrar o grupo de pesquisa em Artes Diagrama.


Entre suas principais exposições individuais, destacam-se Casa do Finito e Livro de Pedra( Albuquerque Contemporânea, Belo Horizonte, 2023), Black House (Volta NY, Nova Iorque, 2018), Exposição Nacional (Galeria Luciana Caravello, Rio de Janeiro, 2018), The Book of the Wind (Galeria Emma Thomas, Nova Iorque, 2016), Poéticas de uma Paisagem – Memória em Mutação (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2016) e A Casa (Paço das Artes, São Paulo, 2007). Participou de mostras coletivas como Casa Carioca (MAR, Rio de Janeiro, 2021), O que Emana da Água (Galeria Carbono, São Paulo, 2019), Os Desígnios da Arte Contemporânea no Brasil (MAC USP, São Paulo, 2017) e Ao Amor do Público I (Museu de Arte do Rio, 2016), entre outras.


Realizou residências artísticas como Pintura Além da Pintura (CEIA, Belo Horizonte, 2006), a 5ª edição do Programa Bolsa Pampulha (Belo Horizonte, 2013), Residência Baró (São Paulo, 2014) e Ocupa Espai ( Belo Horizonte, 2024). Entre os principais prêmios que recebeu, estão a Bolsa Pampulha (2014), o 1º Prêmio Foco Bradesco/ArtRio (2013) e o I Prêmio CCBB Contemporâneo.

bottom of page